o elemento vermelho no espaço

Há pouco li a notícia de que uma agência brasileira de turismo recebeu autorização da Virgin para vender os seus pacotes para viagens espaciais privadas, que ocorrem a partir de 2009. Esta me levou a outra, de que um brasileiro, empresário do ramo do petróleo, está entre os primeiros da lista; com tudo pago; pronto pra embarcar já no próximo ano.

A viagem custa U$200 mil e é o sonho de qualquer um, vamos combinar. No entanto há toda uma classe de recalcados que, impossibilitados de realizar tal sonho, vê, não a força motriz para ir atrás dos seus próprios, mas o oportunidade de atentar contra os de outrem. Um cidadão que se intitula Sam atestou, no espaço para comentários: ‘Esse cara chorou de vergonha, não é possível… podia ajudar tanta gente com esse dinheiro, mas vai jogar no lixo…’

Acho o pensamento comunista especialmente vil quando dá a entender que as liberdades e vontades individuais nunca têm precedência, e quando impõe barreiras coletivas, sob a desculpa de um bem comum. No fundo, condena todos à mediocridade, impede avanços e pioneirismos e espalha a não aceitação das diferenças.

É daquele cidadão que, ruim como ele só, recolhe a bola quando vê que todos marcaram gols, menos o próprio. É de um espírito de porco dedo-duro, daqueles irmãozinhos mais novos que correm pra mãe para dizer tudo o que o irmão mais velho fez, ao invés de ocupar-se dos seus próprios feitos.

Ficar feliz pelo cidadão ao lado, não apenas o barbudo mais próximo, é parte de uma sociedade mais justa e igualitária. Aceitar as diferenças, o mérito alheio e olhar as circunstâncias que o fizeram capaz de exceder a massa como um incentivo aos seus próprios sucessos deveriam ser a marca de qualquer existência - jamais o contrário. Sentar a bunda na cadeirinha e apontar o dedo pros que evoluem é ambos sintoma e causa da mediocridade do elemento vermelho.

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